Sarah mclachlan poema metade oswaldo montenegro

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Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio. Que a morte de tudo o que acredito não me tape os ouvidos nem a boca Porque metade de mim é o que eu grito mas a outra metade é silêncio. Que a música que eu ouço ao longe, seja linda, ainda que tristeza. Que o homem que eu amo seja para sempre amado mesmo que distante Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade. Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor apenas respeitadas como a única coisa que resta a uma mulher inundada de sentimentos Porque metade de mim é o que ouço mas a outra metade é o que calo. Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço Que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão. Que o medo da solidão se afaste que convive comigo mesmo se torne ao menos suportável. Que o espelho reflicta em meu rosto um doce sorriso que me lembro ter dado na infância Porque metade de mim é a lembrança do que fui a outra metade eu não sei. Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito. E que o teu silêncio me fale cada vez mais Porque metade de mim é abrigo mas a outra metade é cansaço Que a arte nos aponte uma resposta mesmo que ela não saiba E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê - la florescer Porque metade de mim é a plateia e a outra metade é canção E que a minha loucura seja perdoada Porque metade de mim é amor e a outra metade...também. (Osvaldo Montenegro)
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